quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Entrega

Se algo apareceu neste local ou terreno
foram ervas daninhas 
num indesejado momento
nasceram espontaneamente, livres e soltas
de promessas ou tormento . . .

Foram uma aprendizagem

algo que vez amadurecer 
ser mais do que uma paisagem
hoje quero ser mais do que ser

Sou mais do que fui
Serei mais do que sou hoje
Mais mulher do que menina
Ferida fortificada
de amarras frouxas


M. 2013

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Alienada

"Perdida nos pensamentos,
o mundo anda mais rápido
A existência de encantamentos
A dúvida do 'existir'

Lançada num mundo louco,
balança pelas ruas vazias
Vê a vida de forma diferente
e é julgada como selvagem.

Duma luz faz um sol
Dum pingo um Oceano
Duma flor uma floresta

Numa noite sem lua
sobre as ondas do mar
coberta por uma leve bruma
fecha os olhos à vida."

Instinto

. . .

Um arrepio percorre-me o corpo

Como mãos frias à procura de prazer

mãos que descobrem, escorregam e querem aprender

que o que a razão não explica, é instinto

. . .

(M.L. 2003)

Assomo de paixão

Hoje resolvi dar uma volta às caixas que quando era mais nova eram os meus tesouros. Lá estavam e estão as cartas que me escreveram, os meus cadernos de poesia, lembranças de aventuras e viagens..... encontrei no meio poemas que fiz e nunca mostrei a ninguém. Não são obra de Camões ou de Pessoa...mas pelos menos fazem-me lembrar de quem eu fui :o) (alguém sem grande jeito para a coisa mas que acreditava que um dia podia vir a ser grande)

"Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar...

A tua respiração calma
é fria e torna-se em mim um querer
Os meus desejos são fracos ...
escorrendo-me pelos braços
o meu passado está em todo o teu ser,

De forma serena, dormes,
sorris para esse teu universo
sonho-te desperto
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sorrir."

(Margarida Lisboa....há muitos muitos anos)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Vida

Eu com 12 anos previa o futuro quando escrevia pseudo poesia...leiam só:

"Vida

A vida pode ser liberdade,
onde o peixe nada em direcção ao oceano
onde o passáro voa em direcção a novos horizontes.

Mas a vida também pode ser uma prisão,
onde por mais que se lute nada se alcança
onde o barco navega sem rumo
onde a lenha arde sem chama."

(M. 2000)

sábado, 3 de abril de 2010

quinta-feira, 25 de junho de 2009

INvísivelOFF





Algumas imagens do projecto
(15-18 junho 2009)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Reflexão

Estava a eu a estudar para um exame de estudos de arte que tenho 4ªfeira próxima, quando dou por mim a ler sobre a "questão Coimbrã"....no meio de muito texto e a propósito do grupinho de Feliciano Castilho (homem das letras que ajudava jovens escritores mediante os elogios) eis então que me deparo com a expressão "Escola do elogio mútuo"(de Antero de Quental).... Epah engraçado que esta expressão de há 2 séculos ainda se enquadre tão bem nos dias que correm. Analisemos com um pouco mais de cabeça(se é que isto merece) O que são os programinhas da tarde do fim de semana do canais generalistas (sic, rtp e tvi)? Como o meu bom pai diz "mais um programinha onde se elogiam uns aos outros", programas que saem baratos ao canal e que não obriga a abrir muito o leque do pouco conhecimento de quem neles abre a boca.  Infelizmente, a televisão é tanto o reflexo da sociedade, como também, a sociedade é o reflexo do que passa na televisão. Assim se passa em todo o lado ( mesmo, MESMO em todo o lado).... vive-se mais do elogio aos inúteis do que do conhecimento dos inteligentes! Como é que querem que este mundinho ande para a frente? 

Ps: depois ainda chamam à minha geração de "Cínica".... 
Ps2: se cínismo é apontar o dedo ao que está errado e lutar por mudar as coisas, então eu sou CÍNICA com letras maiúsculas. Farta de inúteis lambe botas estou eu!

... e é tudo!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

sábado, 13 de junho de 2009

Para Ler e reflectir

Caminho I
Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...  

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!... 
 
Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora, 

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.               
       Camilo Pessanha

domingo, 7 de junho de 2009

Apresentação teórica do projecto

Lisboa,7 de Junho de 2009

 

A arte deve passar por ser reflexo do interior de cada um, tanto do artista como por quem vê a obra e a assume como arte. Por isso considero que se uma peça transmite algo a uma outra pessoa que não o próprio artista, então essa peça já obteve o resultado pretendido e que por isso não precisa de explicações.  Assim como na matemática não precisamos de analisar a conta toda se no fim, depois do sinal (=) o resultado está certo.

 

Mas confirmemos se nesta conta o resultado está correcto, voltemos atrás e vamos rever os passos que nos levaram a esta resposta.

 

Valerá a pena descrever o invisível ou o visível ?

Perda ignóbil de tempo… pode-se procurar no dicionário um significado (invisível-adj.Que não se vê ou não pode ser visto.;visível -adj. 2 gén Que pode ser visto; Que não está interceptado! por coisa que no-lo oculte;Perceptível!.) mas será esta a resposta que procuramos?!

Estes termos tão vagos e sem resposta concreta são reflexo da minha própria condição actual, de falta de precisão. No meio da neblina onde nada é bem visível nem chega a ser invisível. Estou perdida!

Quando pintamos um quadro precisamos de nos afastar de quando a quando para vermos o quadro no seu todo, compreendermos onde devemos alterar algo, o que está bem e o que não está tão bem. Assim é também na vida real, ás vezes é preciso “afastarmo-nos” para se ver de fora as coisas, compreendermos certas situações, sentimentos e emoções.

Foi o “fugir” e o “voltar” que me trouxeram a esta encruzilhada, foi, também, esta viagem que me ensinou a sentir mais intimamente as coisas.

 

Neste projecto tento transmitir a sensação de invisibilidade que senti quando me encontrava “fugida”, senti que não era ninguém que era por e simplesmente INVISIVEL. Duas das peças que vou expor foram inspiradas em dois momentos que vivi em Paris, momentos esses que no meio de uma tremenda solidão em mim mesma me senti visível. Uma agitação por dentro de nós mesmos que não nos é indiferente e, que na maioria das vezes, é desprezado pelos outros que “estão ao nosso lado”. O que quero dizer com tudo isto é que não devemos desprezar o que não nos é visível ao primeiro olhar, é preciso dar mais tempo às coisas, por vezes é preciso reflectirmos e não deixarmos só um instante contar tudo.

 

Peço que dêem tempo as estas peças para que elas se revelem.

 

 

Margarida Salvador Lisboa

work on



A preparar o projecto final... junho de 2009
















quarta-feira, 3 de junho de 2009

Data

Informação:
Começo a montar a sala para o meu projecto no dia 13 e desmonto dia 18. Sala 412 na FBAUL.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Vamos lá desenhar


Isto que apresento aqui pouco tem a ver com o resto do blogge, este e um desenho que fiz (em 2 tempos) para ajudar minha amiga Joana Faria (estudante de Universidade Lusófuna) num trabalho. Espero que a ratinha conselheira consiga muitos sucessos :oP. 
Um abraço 
Margarida S. Lisboa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

..."O invisível se vê"....
(Fernando Pessoa)

..."Peut-être la réalité n'appartient définitivement à aucune perception particulére (...) elle est toujours plus loin." ...

(... Talvez a realidade não pertença definitivamente a alguma percepção particular (...) ela está sempre mais longe...)

Maurice Merleau-Ponty
Le Visible et L'invisible

Ne faul-it pas dire que
l'idée de la transcendance = renvoie à l'infini tout le que nous crayons toucher ou voir?

Non cependant: le visible, qui est toujours "plus loin", est  présenté en tant que tel il est l'urprasentation du nichturprasenteirbar_ voir, c'est précisément, en depit de l'analyse infinie toujours possible, et quoique nul Etwas ne vous reste jamais dans la main, auir un Etwas.
Est-ce donc pure et simple contradiction? Nullement: le visible cesse d'être un inaccessible si je le conçois, non selon la pensée proximale, mais comme englobant, investissement lateral, chair.

"Visible et l'invisible"_Maurice Merleau-Ponty

1a das peças



domingo, 24 de maio de 2009

Esta Fotografia é um aperitivo para o projecto que estou a desenvolver. Foi tirada durante a minha estadia em Paris. Agradeço a paciência e amizade da modelo (Marta Ferreira) uma boa companheira de casa :o). 
Margarida S.Lisboa.

A história do "rei vai nu"


"O Rei vai Nu"
(Conto Tradicional Português) 

Era uma vez um rei muito vaidoso e que gostava de andar muito bem arranjado. 
Um dia vieram ter com ele dois aldabrões que lhe falaram assim: 
- Majestade, sabemos que gosta de andar sempre muito bem vestido - bem vestido como ninguém; e bem o mereceis! Descobrimos um tecido muito belo e de tal qualidade que os tolos não são capazes de o ver. Com um fato assim Vossa Majestade poderá distinguir as pessoas inteligentes dos tolos, parvos e estúpidos que não servirão para a vossa corte. 
- Oh! Mas é uma descoberta espantosa! - respondeu o rei. Tragam já esse tecido e façam-me o fato; quero ver as qualidades das pessoas que tenho ao meu serviço. 
Os dois aldrabões tiraram as medidas e, daí a umas semanas, apresentaram-se ao rei dizendo: 
- Aqui está o fato de Vossa Majestade. 
O rei não via nada, mas como não queria passar por parvo, respondeu: 
- Oh! Como é belo! 
Então os dois aldrabões fizeram de conta qua estavam a vestir o A notícia correu toda a cidade: o rei tinhaum fato que só os inteligentes eram capazes de ver. 
Um dia o rei resolveu sair para se mostrar ao povo. Toda a gente admirava a vestimenta, porque ninguém queria passar por estúpido, até que, a certa altura, uma criança, em toda a sua inocência, gritou: 
- Olha, olha! O rei vai nu! 
fato, com todos os gestos necessários e... gestos necessários e exclamações elogiosas: 
- Ficais tâo elegante! Todos vos invejarão! 
Como ninguém da corte queria passar por tolo, todos diziam que o fato era uma verdadeira maravilha. O rei até parecia um deus! Foi um espanto! Gargalhada geral. Só então o rei compreendeu que fora enganado; envergonhado e arrependido da sua vaidade, correu a esconder-se no palácio.